VOLTAR ATRÁS?!?

Por Tânia Martins

O mundo corporativo exige que os profissionais fiquem sempre “à frente”, buscando novas oportunidades e melhores performances. Ávidos por mostrar a que viemos, para  nossos chefes, colegas, amigos e até familiares, muitas vezes “embarcamos” em empreitadas e quando vemos estamos totalmente arrependidos.

Você sempre esperou por um novo emprego, salário mais alto, muitos benefícios, ter a sua própria empresa… De repente parece que passa na sua frente a oportunidade da sua vida, a perspectiva de reconhecimento que faltava, o emprego dos sonhos, o negócio ideal, “aquela” promoção. E você que não é nada bobo ou boba agarra com unhas e dentes! Os mais medrosos vão consultar a todos para ver se é isso mesmo, os empreendedores natos vão mergulhar de cabeça, até sem pensar, só pelo gosto do novo, do diferente… E lá se vai o emprego de anos, o negócio da família, mudanças de ramo de atividade, localização geográfica, mudança de postura, cultura organizacional… Milhares de mudanças…

Sim, mudar é importante, mas nem sempre dá certo. E quando não temos o que esperamos geralmente a desilusão vem logo, ficamos frustrados, achando que trocamos seis por meia dúzia, que apesar dos ganhos, o outro lugar estava melhor…

Nos negócios arrependimento é coisa muito séria, custa caro, tempo, dinheiro e pior ainda: o fim do sonho, das expectativas, da “aposta”. Você começa a se sentir sem chão, cobrar de si mesmo porque mudou, porque optou por isso ou aquilo e a pensar quais foram os seus erros, qual o equivoco? Planejou, consultou as tais pessoas, ensaiou possibilidades e agora se sente o último dos homens e das mulheres… (ou dos profissionais?). Eu tenho um amigo que sempre diz: “Às vezes em que estamos insatisfeitos e pensando em mudar, o melhor é rezar!”.

Este período de “constatação” de que você deveria ter ficado quieto pode ser curto, médio ou longo e quanto mais longo, mais sofrido é, porque você tem a consciência do que aconteceu e não sabe que atitude tomar, não sabe com quem falar se abrir e fica angustiado, muitas vezes deprimido comprometendo a oportunidade e os resultados esperados na nova empreitada.

Voltar atrás, é possível?

Eu sou consultora de empresas. Meu trabalho é fazer com que as pessoas produzam mais e consequentemente meus clientes tenham mais lucros. Eu vivo disso praticamente há 20 anos, e mais: as pessoas ME PAGAM para dar conselhos. Há alguns anos atrás eu tive a oportunidade de ter um novo negócio, totalmente diferente de tudo o que eu tinha feito. Segui todos os passos que recomendo aos meus clientes: fiz o planejamento estratégico de negócios, pesquisa de marketing, políticas de comercialização, projeções financeiras otimistas, pessimistas, muito mais pessimistas, só faltou consultar as “bruxas”…

E deu tudo errado! Eu passei por todos os processos que descrevi acima: primeiro fui perdendo todo o investimento, depois a credibilidade em mim mesma e por último o sonho. Foi extremamente dolorido e o tempo todo eu pensava: “Por que não continuei no meu negócio, já que eu ia tão bem, e depois de tantos anos eu já sabia conviver com as suas sazonalidades?”… “Como eu, a expert em aconselhamento empresarial erro comigo mesma?”.

Eu não deixei de ser consultora neste tempo, e enquanto este meu negócio não estava indo muito bem, a empresa para a qual eu estava prestando serviços, estava muito satisfeita com a minha competência…

Chegou uma hora que a minha única saída era reconhecer o meu erro e voltar atrás, o que faz com que você inicie um novo processo, aquele de explicar para as pessoas (e no fundo cada vez que você faz isso explica para si mesmo) porque não fez sucesso.

Voltar atrás, nem sempre é possível, mas esta hipótese sempre deve ser analisada, mesmo que seja com um sorriso amarelo no rosto: falar com seu antigo chefe e pedir o emprego de volta. Fechar a empresa que você abriu. Deixar de ser autônomo e voltar a ser empregado. Sair da capital e voltar para o interior e vice-versa. Voltar para o seu país. Não aceitar a promoção (muitos vendedores ganham mais do que os gerentes e só constatam isso, depois que se tornam gerentes). Devolver o bem que comprou e não podia pagar (tenho amigos que venderam seus carros e depois os compraram de volta). Enfim: “dar marcha ré” na sua decisão!

No começo parece difícil, senão impossível, mas não é. Com o tempo você vai ver que nem sempre todas as mudanças são para o bem e errar é humano (mesmo nos negócios) e isto não implica em que você nunca mais vai ter coragem de mudar, ao contrário: o maior ato de coragem que podemos ter é voltar atrás numa decisão importante, erguer a cabeça e seguir em frente!