FOI MAL! A difícil arte de pedir perdão no mundo corporativo

Por Tânia Martins

Você pode ser o melhor profissional do mundo, mas com certeza algumas vezes você erra! No dia a dia lidamos com diversas pessoas na empresa: clientes internos e externos, fornecedores, chefes diretos e indiretos, subordinados, entre outros, e nem sempre ser politicamente corretos. Todos dizem que errar é humano,mas nos negócios isto é possível? Isto é: existe “perdão” no mundo corporativo? Sim, existe! Mas é bom pensar um pouco a respeito…

Hoje as pressões são muitas e salvo “aquelas figuras” já conhecidas por seu mau humor e grosserias, a maioria de nós quer ser uma “pessoa legal”, pelo menos a maior parte do tempo. E sendo essas “pessoas legais”, como agir quando erramos? Como pedir perdão ou desculpas ao próximo se nossa relação com ele é comercial? Embora seja difícil, vamos relembrar algumas razões pelas quais erramos:

Muitas vezes, sem querer, tratamos o próximo com preconceito. Exemplo: falar ou dar a entender para uma colega de trabalho que ela está nervosa porque está na TPM. Avaliamos quem está ausente e até quem está presente. Exemplo: comentar separações conjugais, ou ficar naquele exercício de adivinhar porque um colega está “diferente”. As pessoas têm sentimentos, os clientes têm dinheiro e emprego está difícil e muitas vezes não levamos  isto em conta.Começamos a discutir assuntos polêmicos que já sabemos de antemão que as opiniões vão ser diferentes e vamos entrar em conflito. Achamos que devemos ter uma opinião formada sobre tudo e manifesta-la seja em que hora, momento ou local estivermos. Às vezes esquecemos que o silêncio é a melhor resposta, não pensamos antes de falar. Temos o famoso “pé atrás” com algumas pessoas da empresa, nossos clientes internos, muitas vezes sem mesmo saber o motivo, gratuitamente. Achamos, muitas vezes, que não devemos pedir desculpas, ou perdão, porque talvez isto não caiba no contexto corporativo, entre outras razões…

Ok! Você seguiu todas as regras de “bom moço” além de outras tantas e aí no meio do dia você solta uma frase infeliz, faz um comentário desnecessário, aquela “pérola negativa”, que vai ficar na história do seu relacionamento com outro, aquele que recebeu o direito de um pedido de desculpas da sua parte.  E não podemos esquecer, nos dias de hoje, a história do “eu, conectado”. Quantos emails, mensagens você escreveu com algumas palavras a mais, totalmente desnecessárias? Nem vamos comentar a história do “enter” quando clicamos em algo que deveríamos ter pensado melhor, já que as palavras impressas não são como as palavras “ao vento”, isto é, tudo aquilo que pode ser lido, (re)lido, arquivado “para sempre”.

Pedir perdão é difícil, a começar por assumir o próprio erro. Muitas vezes erramos e nem percebemos, mas quando temos a consciência disso é nossa obrigação tentar consertar a situação. Mas como fazer isso? Primeiro descubra se você errou… Veja onde você errou: foi uma palavra ou frase mal colocada, uma brincadeira de mau gosto, um gesto infeliz, uma atitude ou comportamento, tom de voz, uma informação errada que você não checou e levou para frente, o que foi na verdade? Veja quantas pessoas estão envolvidas no seu erro, mais de uma?

Para não piorar as coisas pense no “como” vai pedir desculpas. Lembra-se daquela famosa frase: “Ficou pior a emenda do que o soneto”? Mesmo que você tenha atingido várias pessoas ao mesmo tempo, o perdão – nos negócios – é individual, um a um (perdão coletivo é apenas para crimes de guerra ou do presidente da empresa para todos os clientes quando é necessário). Você pode pedir conselhos a pessoas em que você confie e conheçam o contexto para saber a melhor forma de pedir desculpas. Você tem que saber que talvez o seu pedido de perdão não resolva, e que talvez nada volte a ser como antes ou piore a situação… Às vezes o pedido pode ser feito por escrito, acompanhado de um agrado, mas isso exige cuidado para não ser mal interpretado. E é preciso lembrar que não estar presente implica em não saber a reação do outro ao seu pedido.

Às vezes fazemos coisas tão graves, as chamadas “imperdoáveis”, que temos certeza de que não vamos ter o perdão do outro, mas mesmo assim peça desculpas, talvez o tempo passe e numa outra situação a pessoa “releve” o que você fez. Aquela famosa frase: “As pessoas passam, as empresas ficam”, pode valer muito para o mundo dos negócios, mas vale muito pouco para as relações humanas.

O mais importante é que você deve ser humilde ao admitir o erro, tentar sempre se corrigir, isto é a nossa verdadeira evolução, e na organização, onde muitas vezes esquecemos que “pessoas são gente e sem gente não há empresa”, é o cenário ideal para praticarmos o “ser legal”. E se muitas vezes você queria pedir perdão ou desculpas e não
soube o que fazer ou falar lembre-se que podem ser de maneiras extremamente
simples, dê um sorriso amarelo, torça os dedos, reze e diga: “Perdão, foi mal!”
ou…  “Desculpe, foi mal!”.