A Força das Palavras

Por Tânia Martins

Pesquisando sobre um curso de motivação me dei conta de muitos textos e vídeos falando sobre a “força das palavras”. O mais famoso deles (talvez?) “O Segredo” na área de autoajuda, é todo baseado nisso, quer dizer, é tipo uma “fórmula” em que você coloca para o universo o que você deseja que aconteça e neste processo as palavras e sentimentos negativos estão proibidos.

No dia a dia com as pressões, nas empresas está cada vez mais difícil manter a moral em alta, fazendo do otimismo um exercício cansativo: dão-lhe metas inatingíveis, concorrências desleais, colegas antiéticos, avaliação constante, crise de mercado, crise brasileira, crise brasileira, crise brasileira (não foi erro repeti três vezes mesmo porque isso é uma mesmice por aqui…). E aí vem aquela pergunta de um milhão de dólares: “Num mundo em que você é o que pensa e fala, como vamos manter o positivismo no universo corporativo, diante de tudo isso?”.

Como consultora empresarial na maior parte da minha vida profissional, meu trabalho consistiu antes de tudo em motivar as pessoas e por muitas vezes isto me parecia impossível diante de situações dantescas estabelecidas nas empresas por seus dirigentes movidos a decisões fisiológicas e passar a ideia de uma fórmula fácil da felicidade corporativa (se é que isto existe…) as vezes era uma tarefa difícil para mim.

Eu comecei então a “brincar” com as pessoas, sobre quais as palavras que elas mais detestavam ouvir, ter que falar aceitar e conviver e no final das contas eu tinha a minha própria lista de palavras “detestáveis” em que vou citar somente algumas, para não cansar meus leitores:

Desafio: virou sinônimo para as profissionais que estão desempregados, com o famoso slogan “estou à procura de novos desafios”… E se você está empregado, pior ainda, quando seu chefe te chama e diz que tem um novo desafio para você, fica esperto, porque para variar deve ser aquela missão impossível, colocada sempre como uma coisa boa, sendo que você sabe nunca dariam uma coisa boa, fácil e rentável para você fazer…

Resiliencia: incorporada há pouco tempo no mundo dos negócios, tornou-se uma habilidade importante no CV, e aí vem a pergunta que não quer calar: quantas porradas você acha que consegue levar até descobrir que nunca mais vai voltar a sua forma original?

Feedback: meu sócio sempre brincou com ela, porque ao invés disso você pode ter um trocadilho que é um palavrão bem famoso em inglês (fyb), e como sou educada não vou citar, mas não causa arrepio quando seu chefe fala, “to esperando o feedback sobre aquele contrato de 500 mil…?”

Time: a necessidade que o mundo corporativo tem de importar palavras de outras áreas, a velha discussão se estamos nos comportando como uma equipe, um time, um grupo em fim, aquelas masturbações mentais que não levam a nada a não ser que “no momento” o resultado esteja positivo, porque dependendo dele e do chefe, na reunião, poderemos ser chamados apenas de “bando”…

Relatório: a palavra é chata, fazer é pior ainda, alguém realmente fica motivado em fazer planilhas? E o pior: você quebra a cabeça com os números, a forma como vai usar, centenas de recursos do Excel, tem um trabalhão para fazer, e a maioria que pediu não lê, mas se você não entrega no prazo é um problema.

E tem as definições rapidinhas: briefing, realmente alguém sabe o que quer hoje em dia? Autoajuda: dá vontade de vomitar. Mudança: fica pior quando dizem “mudança é uma coisa perene nesta empresa”, que nojo! Liderança: esta história de que tipo de líder você é já irritou, ter que definir seu estilo, então virou obrigação… Diagnóstico: a gente pega trauma dela fácil, fácil. Motivação: alguém realmente acredita nisso vivendo no Brasil? Network: uma forma chique que arrumaram para te convencer de que precisa sempre ficar procurando emprego, já que o seu nunca está garantido… Entre outras.

Já ironia é uma boa palavra, pontuou este meu artigo, e é muitas vezes o que nos salva e nos mantém positivos e motivados diante das pressões, e aí eu te pergunto: quais são as palavras que você gostaria de riscar seu dicionário corporativo?